Exercício Físico e sua importância

A IMPORTÂNCIA DOS GRANDES EVENTOS ESPORTIVOS NO ESTÍMULO AO ESPORTE

A ideia da matéria é aproveitar o momento das Olimpíadas e lembrar a importância de se fazer exercício, OK? Quem sabe os sedentários não se inspirem na matéria e Olimpíadas e aproveitam para praticar exercícios? 

01)- Qual a importância de praticar exercícios físicos?

Há muitos anos, literalmente há milênios, médicos recomendam exercícios físicos. Mas, objetivamente, faz 60 anos que a medicina e outras áreas relacionadas à saúde vêm demonstrando cientificamente os benefícios de uma vida ativa. Atualmente, o papel do exercício físico tanto na prevenção de doenças, assim como no seu tratamento, tem sido amplamente demonstrado através de estudos nessa área.   

O aumento na renda, a industrialização e globalização têm ocasionado mudanças econômicas e sociais favoráveis no Brasil. Entretanto, observa-se também um aumento no consumo de alimentos não saudáveis e da inatividade física. A prevalência de homens com sobrepeso no Brasil aumentou de 18,6% em 1974 para 50,1% em 2008 e de uma forma geral, em todo o mundo, o sedentarismo está presente em mais de 30% da população mundial, atingindo valores superiores a 50% em determinados países. A inatividade física aumenta com a idade e é mais frequente em mulheres do que nos homens.

Embora estejamos vivendo as emoções dos Jogos Olímpicos de Londres e na expectativa em sediar a próxima Copa do Mundo e as próximas Olimpíadas, devemos deixar claro que o esporte competitivo deve servir de incentivo para abandonarmos o sedentarismo e iniciarmos uma atividade física programada, mas não deve, a rigor, ser utilizado como modelo a ser seguido por todos. Esportes realizados nesse nível demandam uma equipe multiprofissional, muito tempo de treino e de recuperação, alimentação orientada por nutricionistas especializados e não devem ser estendidos para a população de uma forma geral.

02)- Quais as principais consequências por não fazê-lo?

Nos últimos anos, vem sendo publicado de forma contínua, estudos que demonstram que a inatividade física é um importante preditor de doenças cardiovasculares, diabetes do tipo 2, obesidade, alguns tipos de câncer (câncer de intestino e de mama), fraqueza músculo-esquelética, depressão, menor qualidade de vida e maior mortalidade por causas cardiovasculares e por todas as causas. Quando comparamos uma população sedentária com outra um pouco mais ativa, que se exercita mesmo em níveis menores que os recomendados (cerca de 90 minutos por semana), os mais ativos chegam a viver 3 anos a mais. 

03)- Quais os cuidados se deve tomar para começar a fazê-lo?

É importante determinar algum tipo de limitação de ordem médica, principalmente de origem cardiovascular e ortopédica, que possam colocar em risco a pessoa que decide se exercitar de forma regular. Sendo assim, uma avaliação que chamamos de pré-participação, deve ser realizada visando identificar problemas muitas vezes ocultos, como a hipertensão arterial (pressão alta), arritmias cardíacas, obstrução ao fluxo nas artérias coronárias (risco de infarto), diabetes, assim como problemas ortopédicos que possam comprometer a progressão do treinamento, tais como forma de pisada que necessitem de correção e erros na execução do gesto esportivo. 

04)- No caso de quem nunca fez atividade física ou está parado há mais de dois anos, como este deve proceder para não comprometer a saúde? 

Pessoas que estão muito inativas, sedentárias, devem iniciar os treinamentos após uma avaliação médica de um profissional com experiência na área da Medicina do Exercício e do Esporte. Hoje sabemos que o exercício físico mal orientado pode comprometer a sua manutenção, levando a lesões osteomusculares precoces e a um maior risco de eventos cardiovasculares. Sendo assim, todo recomeço, após um longo período de inatividade, deve ser feito de maneira gradativa, sempre respeitando os limites do corpo.

05)- Quais são os exercícios considerados mais importantes pela medicina? Natação, futebol, caminhada, corrida, vôlei...?

Objetivamente não existe um esporte superior aos demais. Recomenda-se que a modalidade escolhida envolva grandes grupos musculares e atividades que chamamos de aeróbica ou de resistência, assim como aquelas que denominadas de anaeróbicas e que demandam o uso de força (musculação ou resistido). Exercícios de sobrecarga (exercícios com sustentação do peso corporal e de resistidos/musculação) são recomendados para preservar a saúde óssea e o vigor muscular. Exercícios aeróbicos são responsáveis pelo maior gasto de calorias e ganhos mais evidentes nos parâmetros cardiovasculares como: maior capacidade de fazer exercícios (resistência) e maior ganho nos parâmetros cardiovasculares e metabólicos (melhor controle da pressão arterial, maior perda de peso, diminuição nos níveis de colesterol e glicose no sangue).

Devemos sempre levar em conta a preferência da pessoa por determinada modalidade esportiva, ajudando e orientando o praticante a definir o tipo de exercício que melhor se adapte à sua aptidão, habilidades, capacidade física e seu estado de saúde.

06) Deve se praticar exercícios físicos todos os dias ou pode ser, por exemplo, duas, três, quatro ou cinco vezes por semana?

Homens e mulheres de todas as idades, de qualquer grupo sócio-econômico ou étnico devem se exercitar pelo menos 150 minutos por semana, com uma atividade aeróbica de moderada intensidade, como uma caminhada rápida, por exemplo. Além disso, exercícios de fortalecimento muscular, assim como aqueles que melhorem a flexibilidade, também são recomendados.

Perfazendo esses 150 minutos, recomendam-se 30 minutos de exercícios, 5 dias/semana, com intensidade moderada, combinados com exercícios de musculação e flexibilidade.

Outra opção envolve a recomendação de exercícios de maior intensidade (vigorosos), 3 dias/semana, combinados com exercícios de musculação e flexibilidade.

Deve-se ficar claro que do ponto de vista de promoção de saúde, mesmo exercícios de baixa intensidade (leves) são capazes de gerar um grande impacto em aspectos relacionados à saúde pública, como melhor controle da pressão arterial, menor níveis de colesterol e glicose, por exemplo. Entretanto, devemos sempre fazer uma distinção entre pessoas que estão fisicamente ativas, daquelas que estão bem condicionadas e, portanto, com uma capacidade de execução de exercícios maior. Pessoas bem condicionadas necessitam de treinos mais longos e mais intensos para obterem essa condição física. É o que chamamos da relação dose-resposta ao exercício físico. Com base nesse conceito, um dado significativo, é que risco relativo de morte reduz em pessoas fisicamente ativas, mas pode reduzir ainda mais em pessoas com ótimo condicionamento físico.

Nesse ponto, vale uma importante colocação. Quem deseja participar de provas de corrida de 10km, 25km ou maratonas ou outros esportes competitivos devem se exercitar de forma diferenciada, com esse objetivo específico, muito diferente daquelas pessoas sedentárias que querem se tornar primeiramente fisicamente ativas, para só depois pensarem em melhorar o condicionamento físico a ponto de disputarem provas que requeiram melhor condicionamento. Seja qual for o objetivo a ser traçado, o sedentarismo sempre é a pior escolha.

07)- Uma pessoa na faixa dos 50 anos que quer começar a praticar algum tipo de exercício, qual o mais indicado e como esta deve proceder? Ela tem de correr devagar, não?



08)- O mesmo procedimento de ser feito para aquelas com menos idade, por exemplo, entre 20 e 30 e acima dos 50 anos?

Existem evidências médicas que recomendam o teste de esforço (teste ergométrico) para pessoas mesmo consideradas saudáveis (homens com mais de 40 anos e mulheres com mais de 50 anos) e que não tenham história familiar positiva para doenças cardiovasculares (exemplo: doença arterial coronariana: casos de infarto na família, angioplastia, morte súbita). Entretanto, cada caso deve ser avaliado individualmente, já que podemos solicitar esse exame, conforme o motivo, independente da idade do paciente.

Além disso, quando se pensa em prescrever exercícios físicos de maneira orientada, o teste de esforço, além de verificar o surgimento de arritmias cardíacas, picos hipertensivos e estratificar o risco de uma pessoa ter um infarto, servirá como referência na determinação da intensidade do exercício a ser prescrita. Quando bem executado, pode fazer com que o paciente alcance sua frequência cardíaca máxima diante de um esforço, ajudando o profissional de educação física a estabelecer os limites de frequência cardíaca relacionados à intensidade determinada como: leve, moderada ou vigorosa. Ou seja, mesmo que o risco de uma determinada pessoa em ter problemas cardíacos seja baixo, o teste de esforço poderá ser útil não para encontrar um possível problema cardíaco no paciente, mas definir melhor como ele deverá começar a se exercitar de forma segura e eficiente. 


09)- No caso de pessoas idosas, quais são os exercícios mais indicados pela medicina?


Além dos exercícios aeróbicos, exercícios que aprimoram a aptidão neuromuscular, como o equilíbrio e a agilidade, também devem ser recomendados para a população idosa. Deve-se também privilegiar exercícios de força (musculação), evidentemente respeitando os limites individuais inerentes ao envelhecimento, mas que permitam um aumento da capacidade na execução de exercícios muito comuns na vida diária, tais como: carregar sacolas em compras, trabalhos domésticos e atividades laborativas.

10)- Pessoas com algum tipo de doença, como diabetes, epilepsia, artroses e bronquite asmática, entre outras, também devem praticar exercícios?

De uma forma geral, todas as pessoas podem e devem se exercitar, inclusive aquelas com problemas de saúde estabelecidos. Já estão amplamente comprovados os benefícios do exercício físico em pessoas com diabetes, hipertensão arterial e problemas pulmonares. O que não podemos esquecer é que em todas essas condições especiais, o exercício físico deve ser prescrito por profissionais com experiência em medicina do Exercício e do Esporte, já que determinados cuidados devem ser tomados e diferem conforme a condição de saúde da pessoa. Ou seja, pacientes que tiveram infarto, hipertensos, diabéticos, asmáticos e aqueles com doenças neurológicas se beneficiarão dos exercícios físicos, mas necessitarão de orientações específicas para executarem os exercícios de forma a minimizar os riscos e potencializar os benefícios.

11)- Antes de se começar a praticar alguma atividade física é muito importante consultar um médico?

O cardiologista é o profissional médico mais procurado pelas pessoas que pretendem iniciar exercícios físicos de forma regular e orientada. É importante que o profissional médico tenha experiência na área da medicina do Exercício e do Esporte, já que atualmente muitas pessoas buscam esportes das mais variadas modalidades e desejam se exercitar em níveis quase tão intensos como aqueles praticados por atletas profissionais. Além do cardiologista e outras especialidades, cabe ressaltar que médicos especialistas em Medicina do Exercício e do Esporte são aqueles que lidam mais diretamente com as demandas envolvidas tanto no esporte competitivo profissional como no amador, podendo dar valiosas informações tanto na avaliação pré-participação, na prevenção de lesões e na progressão do treinamento físico.

Em grande parte dos casos, a solicitação de pelo menos o eletrocardiograma, principalmente para aqueles que desejam se exercitar de forma mais intensa, deve complementar a avaliação médica inicial que deve conter uma ótima coleta da história clínica do paciente, assim com um rigoroso exame físico.   

12)- Pelo visto a prática de exercícios físico é importante em qualquer idade, não?

Sim. Exercícios físicos devem ser incentivados desde a infância, sempre respeitando os limites de cada faixa etária. Não se deve estimular uma especialização precoce em determinada modalidade esportiva antes que se atinja uma maturidade no desenvolvimento motor, na coordenação, no equilíbrio e na força muscular. Sendo assim, crianças bem jovens devem ser estimuladas a se exercitarem de maneira menos competitiva e mais lúdica, com atividades em grupo e brincadeiras. Só mais tarde, exercícios físicos dentro de uma modalidade esportiva específica devem ofertados.

Exercícios físicos quando bem orientados podem ser praticados durante toda a vida, independente da idade, sempre respeitando os limites do corpo, as condições clínicas individuais e a aptidão física.
 

Dr. Marconi Gomes da Silva

Presidente da Sociedade Mineira de Medicina do Exercício e do Esporte - SMEXE