O Exercício Físico Intenso e Repetido por Longos Períodos Pode Ser Capaz de Induzir a uma Forma Adquirida de Cardiomiopatia Arritmogênica do Ventrículo Direito?

Os benefícios cardiovasculares dos exercícios físicos são bem estabelecidos
e indivíduos que se exercitam regularmente apresentam expectativa de vida
maior que a dos sedentários. Segundo a Organização Mundial de Saúde
(OMS)1
, recomendam-se aos adultos pelo menos 150 minutos semanais
de exercício físicos de intensidade moderada ou pelo menos 75 minutos
semanais de exercícios físicos vigorosos ou, ainda, uma combinação de
exercícios moderados e vigorosos durante a semana. O mesmo documento
ainda destaca que para benefícios adicionais à saúde, esse tempo deveria
ser estendido para 300 minutos de exercícios de intensidade moderada e
150 minutos de exercícios vigorosos durante a semana, ou seja, idealmente
objetiva-se o dobro do inicialmente recomendado. Tais benefícios podem ser
alcançados com intensidade relativamente moderada ao se proporcionar um
gasto metabólico em torno de 6 a 10 METs (equivalentes metabólicos) por
dia2
. Nesse caso, a chamada “dose ideal” está geralmente isenta de efeitos
colaterais. Da mesma maneira que os tratamentos farmacológicos, admitese
que a prática de exercícios físicos pode se comportar como a “curva em
J” quando se avalia o seu efeito dose-resposta, sobretudo, no que se refere
às lesões músculoesqueléticas. Ou seja, a diferença entre o remédio e o
veneno realmente pode estar na dose, como disse o médico suíço Paracelso,
há mais de 500 anos.
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Autor / Fonte:Dr. Marconi Gomes da Silva. Rev DERC. 2014;20(3):74-76
Link: http://departamentos.cardiol.br/sbc-derc/revista/2014/20-3/pdf/05-artigo-o-exercicio.pdf